Aspectos da Nova Jerusalém

Deificação

 

Tradução não oficial e não revisada pelo autor do artigo “Aspects of the New Jerusalem - Deification” publicada em Affirmation  & Critique (www.affcrit.com), em outubro de 2002, periódico pertencente ao Living Stream Ministry - Anaheim – CA – EUA, por João Lídio de Carvalho Neto para a  edificação da Igreja do Senhor Jesus Cristo, sem fim comercial.

 


C

omo mostramos nos artigos antecedentes, a Nova Jerusalém não é uma cidade literal, física, nem é um lugar físico, o “céu” comumente ensinado na corrente principal do cristianismo de hoje.  A Nova Jerusalém, como a conclusão de toda a Bíblia, e de toda a economia de Deus, é o sinal maior e final nas Escrituras, o sinal final e completo no Livro de Apocalipse, um livro composto por sinais, isto é, por símbolos que têm significado espiritual (1:1).  Cada detalhe, dado pelo apóstolo João, na descrição da cidade santa, é um sinal.  De uma maneira consumada, a Nova Jerusalém retrata claramente a deificação dos redimidos de Deus no cumprimento da Sua economia eterna. 

 

O Deus Corporativo

 

A Nova Jerusalém, em sua realidade, é uma constituição orgânica do Deus Triúno com Seu povo tripartido escolhido, redimido, regenerado, transformado e glorificado que foi deificado.  Para o povo de Deus, ser deificado significa que eles foram constituídos intrinsecamente com o Deus Triúno processado e consumado, de maneira que eles foram feitos Deus em vida, em natureza e em expressão, mas não na Deidade.  Do lado de Deus, o Deus Triúno em Cristo foi encarnado para ser um homem e passou pela morte e então ressuscitou para soerguer Sua humanidade para dentro da Sua divindade, deificando desta maneira Sua humanidade.  Do lado dos eleitos de Deus, eles foram redimidos, regenerados, santificados, renovados, transformados, conformados e glorificados, por meio disso sendo deificados, constituídos com o Deus Triúno processado e consumado de modo que eles são o mesmo que Deus em vida e natureza a fim de ser Sua expressão corporativa pela eternidade.  Todos os componentes da Nova Jerusalém, sendo a união e o mesclar do Deus Triúno com a humanidade, têm a mesma vida, natureza, e constituição e foram edificados juntos para ser uma pessoa corporativa. Esta pessoa corporativa é o aumento e a expansão de Deus – o Deus corporativo.

 

A Bíblia inicia com Deus e termina com Deus.  No início da Bíblia, o Deus Triúno singular está sozinho (Gênesis 1:1).  No final da Bíblia, há uma cidade, a Nova Jerusalém, que é o Deus expandido,  o Deus corporativo – o Deus Triúno processado e consumado, unido, mesclado e incorporado com todos os Seus redimidos por todas as eras.  Na eternidade, antes da fundação do mundo, o Deus Triúno ilimitado planejou ser expandido em Sua expressão para ser a Nova Jerusalém.  Com certeza, Deus em Sua Deidade singular jamais pode ser expandido.  É herético dizer que Deus pode ser aumentado ou expandido em Sua Deidade.  Entretanto, Deus pode ser aumentado e expandido por dispensar a Si mesmo para dentro da humanidade e crescer em humanidade (Colossenses 2:19).  É para este propósito expresso que Deus criou o homem à Sua imagem e conforme a Sua semelhança, e formou nele um espírito humano como um receptáculo (Gênesis 1:26; 2:7; Zacarias 12:1; Provérbios 20:27; Jó 32:8) de modo que o homem possa receber Deus, conter Deus, e ser mesclado com Deus para Sua expressão expandida. 

 

Quatro mil anos depois que Ele criou o homem, Deus mesmo veio à terra para ser homem, concebido pelo Espírito Santo e nascido de uma virgem humana (Mateus 1:18-23).  Este homem, Jesus, era o Deus completo mesclado com a humanidade.  Ele era plenamente Deus e plenamente homem, um homem-Deus.  Sua essência interior era Sua divindade, e Sua concha exterior era Sua humanidade.  Portanto, Ele Se assemelhou a um grão de trigo.  Um dia, este grão de trigo caiu no terreno e morreu e depois ressurgiu de modo a liberar Sua vida divina e produzir, e até tornar-Se, muitos grãos (João 12:24).  Estes muitos grãos, os muitos crentes em Cristo, possuem a vida e natureza do primeiro grão e são assim a multiplicação do primeiro grão.  Como tal, eles são verdadeiramente a reprodução de Deus.  O primeiro grão – Jesus como o primeiro homem-Deus – foi um protótipo, e os muitos grãos – os crentes como os muitos homens-Deus – produzidos por este único grão através de Sua morte e ressurreição são a reprodução em massa (cf. Romanos 8:29).  Esta é a reprodução de Deus, não em Sua Deidade, mas em Sua corporificação consumada, Cristo como o homem-Deus.  A consumação final do Deus Triúno e Sua reprodução é a Nova Jerusalém como o Deus corporificado.

 

A Cidade Santa

 

A

 Nova Jerusalém é chamada a cidade santa (Apocalipse 21:2).  Conforme a revelação das Escrituras, ser santo é ser separado para Deus de todas as outras coisas  que não Deus.  Além do mais, ser santo é ser saturado com a natureza santa de Deus, a fim de ser o mesmo que Deus em Sua natureza santa.  No Velho Testamento, santidade era apenas posicional, envolvendo apenas separação para Deus de uma posição mundanamente comum para uma posição que é para Deus.  Esta  espécie de santidade foi referida pelo Senhor Jesus em Mateus 23:17 e 19, onde o ouro foi santificado, separado, feito santo, para Deus por ser trazido para dentro do templo de Deus e onde uma oferta oferecida a Deus foi santificada por ser posta sobre o altar.  Entretanto, no Novo Testamento, santificação em seu sentido mais excelente não é meramente posicional, mas disposicional, envolvendo não somente uma separação dos crentes para Deus, mas também um saturar dos crentes com Deus para efetuar neles uma transformação em disposição de uma disposição natural, comum para uma disposição espiritual, santa pelo saturar de suas partes interiores com a vida, natureza, e essência santas de Deus.  Este saturar é levado a cabo por Cristo como o Espírito que dá vida dispensando o elemento santo de Deus para dentro das partes interiores dos crentes durante o curso de toda a sua vida cristã.

 

S

antidade é o próprio Deus.  Somente Deus é intrinsecamente santo (Apocalipse 15:4); somente Ele tem a essência santa, a natureza santa.  Portanto, para o homem ser santo significa que o homem é o mesmo que Deus em Sua natureza santa.  Visto que qualquer outra coisa que não Deus é comum, impura, ser feito santo é ser feito Deus em Sua natureza de santidade.  Antes da encarnação de Cristo, somente Deus era santo em Sua natureza intrinsecamente.  Na encarnação, o homem Jesus foi concebido  pelo Espírito Santo no ventre da virgem Maria (Mateus 1:18,20).  Esta concepção pelo Espírito Santo, que carrega a natureza santa de Deus, envolveu o impartir da natureza divina para dentro da humanidade.  Como resultado, a criança humana nascida de Maria foi chamada “o ente santo” (Lucas 1:35).  Assim, Jesus, o homem-Deus, era intrinsecamente, constitucionalmente, santo desde o Seu nascimento.  Na concepção, e nascimento de Jesus, a humanidade foi santificada, feita intrinsecamente santa por meio do mesclar da natureza divina com a natureza humana.  A santificação da humanidade de Jesus foi consumada por Sua ressurreição, por meio da qual Ele, como a semente de Davi em Sua humanidade, foi designado para ser o Filho de Deus no poder divino conforme o Espírito de santidade (Romanos 1:3-4).  Na ressurreição de Cristo, Sua humanidade foi plenamente santificada, transformada, e soerguida para dentro da Sua divindade.  Por conseguinte, Sua humanidade foi deificada.

 

Conforme 2Tessalonicenses 2:13, a salvação de Deus está na santificação do Espírito.  A fim de aplicar a salvação de Deus aos crentes de Cristo, o Espírito Santo santifica-os em três etapas.  Na primeira etapa, o Espírito busca e convence os crentes antes de eles se arrependerem e crerem em Cristo (1Pedro 1:2; João 16:8).  Na segunda etapa, o Espírito santifica os crentes tanto posicionalmente quanto disposicionalmente na hora em que eles crêem no Senhor (Hebreus 13:12; 1Coríntios 6:11).  Na terceira etapa de Sua obra santificadora nos crentes, o Espírito continua a santificar os crentes em sua disposição durante todo o curso de sua vida cristã (Romanos 15:16; 6:19,22), desde sua regeneração até sua glorificação, que é a transfiguração, a redenção do seu corpo no retorno do Senhor (Filipenses 3:21; Romanos 8:23). 

 

O início da santificação disposicional nos crentes em sua regeneração, na qual o Espírito Santo, o Espírito Santificador, imparte a vida, natureza e essência santas,  do Deus Triúno para dentro do espírito dos crentes (Romanos 8:10), fazendo o espírito deles santo (2Coríntios 6:6).  Através da regeneração, os crentes são trazidos para dentro de uma união orgânica com  o Senhor (1Coríntios 6:17; João 15:4-5), na qual eles se tornam participantes da natureza divina por meio das preciosas e mui grandes promessas de Deus (2Pedro 1:4), e participam da santidade de Deus através do dispensar interior do Espírito e da disciplina exterior do Pai (Hebreus 12:10).  À medida que os crentes participam da natureza santa de Deus, eles são santificados, feitos santos, em todas as partes interiores de sua alma.  No tempo do retorno do Senhor, os crentes que foram plenamente santificados em sua alma serão glorificados através da transfiguração do seu corpo (Filipenses 3:21).  Naquela hora estes crentes serão total e plenamente santificados em todo o seu ser tripartido – espírito e alma e corpo (1Tessalonicenses 5:23).

 

A

 santificação dos crentes disposicionalmente leva a cabo o alvo do escolher dos crentes por Deus na eternidade passada para ser santos pelo Seu predestiná-los para a filiação (Efésios 1:4-5).  Este alvo é fazer os crentes filhos de Deus que possuam a vida, natureza e glória de Deus a fim de que eles possam ser a expressão corporativa de Deus.  É por meio da santificação disposicional que os crentes como os muitos filhos de Deus são trazidos para dentro da glória divina para a expressão eterna de Deus (Hebreus 2:10-11).  Por meios de todas as etapas da santificação divina, os crentes são gradualmente deificados para tornar-se os filhos de Deus, que são semelhantes a Deus em Sua vida e em Sua natureza, mas não em Sua Deidade.  Portanto, eles são feitos Deus em Sua santidade e tornam-se uma parte da cidade santa, a Nova Jerusalém. 

 


 Nova Jerusalém

 

No nome Nova Jerusalém, a palavra nova indica que a Nova Jerusalém é a consumação da nova criação de Deus (2Coríntios 5:17; Gálatas 6:15).  Nas Escrituras, há duas criações – a velha criação e a nova criação.  O alvo de Deus em Sua economia é produzir uma nova criação a partir de Sua velha criação.  A velha criação é a primeira criação, a criação falada em Gênesis 1 e 2.  Esta criação é velha em razão de que ela não tem Deus em si intrinsecamente; ela não tem a vida divina e a natureza divina.  Ela é meramente um vaso vazio sem Deus como seu conteúdo.  Qualquer coisa que está sem Deus é velha, e qualquer coisa dentro da qual Deus foi constituído é nova.  Desde que novidade é Deus, tornar-se novo é tornar-se Deus, tornar-se divino, ser deificado, por ter Deus trabalhado dentro de nós.1

 

Deus é novo, e Ele é também novidade.  Todos os atributos de Deus são para sempre novos.  Eles não podem tornar-se velhos; eles são eternos e imarcescíveis. Da mesma maneira que a consumação da nova criação, a Nova Jerusalém, é nova porque está repleta de Deus; o Deus sempre novo tem sido trabalhado dentro dela.  A Nova Jerusalém é nova porque está cheia da vida divina, indicada pela árvore da vida e pelo rio da água da vida dentro da cidade (Apocalipse 22: 1-2), e a natureza divina, tipificada pela própria cidade e sua rua sendo de ouro puro (21:18,21).

 

A Nova Jerusalém é uma composição viva do povo redimido de Deus por todas as eras, que tem sido constituído com Cristo e composto para ser uma nova criação (2Coríntios 5:17), um novo homem corporativo (Efésios 2:15; 4:22-24; Colossenses 3:10-11), em Cristo.  A nova criação é produzida pelo dispensar de Deus em Cristo como o Espírito dentro dos crentes redimidos.  Este dispensar resulta no mesclar do Deus Triúno com todo o ser tripartido dos crentes, fazendo-os uma nova criação em Cristo.  A frase em Cristo indica que fora de Cristo não há novidade.  Cristo é tanto a esfera quanto o elemento da novidade.  Por que estamos em Cristo e Cristo está em nós (1Coríntios 1:30; 2Coríntios 13:5), somos novos.  O Cristo no Qual estamos e Que está em nós é o Espírito vivificante (1Coríntios 15:45; 2Coríntios 3:6,17).  Como tal, Ele é o Espírito renovador Que nos renova pelo saturar-nos conSigo mesmo como o elemento da novidade.

 

N

ós somos renovados, deificados, para ser a Nova Jerusalém pela obra renovadora do Espírito na salvação orgânica de Deus, que  nos reconstitui com o Deus Triúno como um novo elemento.  O renovar do Espírito é um re-criar que nos transforma da velha criação para dentro da nova criação.  Por meio da regeneração pelo Espírito (João 3:6), nosso espírito é feito novo (Ezequiel 36:26); através da obra santificadora do Espírito, nossa alma é feita nova (Romanos 12:2; Efésios 4:23); e por meio da glorificação, a redenção de nosso corpo (Romanos 8:23), nosso corpo é feito novo (cf. 2Coríntios 5:1).  Após crer em Cristo para ser regenerado pelo Espírito, nós continuamos a ser renovados dia após dia por toda a nossa vida cristã pelo desfrutar Cristo como o Espírito renovador, Que habita em nosso espírito (2Coríntios 4:16; Tito 3:5).  À proporção que O contatamos e colocamos nossa mente nEle (Romanos 8:6), Ele Se difunde de nosso espírito para dentro de nossa mente, renovando, portanto, nossa mente e fazendo-a nova.  Através do renovar da nossa mente, todo o nosso ser interior é renovado e transformado.  Finalmente, quando nosso corpo for transfigurado na vinda do Senhor (Filipenses 3:21), nós seremos totalmente novos em todo o nosso ser tripartido.  Por tal processo do renovar somos deificados, feitos Deus em vida e em natureza, para ser a Nova Jerusalém como a consumação da nova criação de Deus. 

 

A Noiva, a Esposa do Cordeiro

 

A Nova Jerusalém, composta tanto dos santos do Velho Testamento, representados pela doze tribos de Israel, (Apocalipse 21:12), quanto pelos santos do Novo Testamento, representados pelos doze apóstolos do Cordeiro (v. 14), é também a noiva, a esposa do Cordeiro (vv. 2, 9-10).  Como tal, a Nova Jerusalém é a Eva final e eterna, cumprindo pela eternidade o tipo mostrado em Gênesis 2.  No verso 18, deste capítulo, Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora como sua contraparte”.  Adão tipifica Deus em Cristo como o Marido universal, Que está procurando uma esposa para Si (Romanos 5:14).  A necessidade de Adão de uma esposa tipifica e retrata a necessidade de Deus, em Sua economia, de ter uma esposa como Seu complemento.  Adão nominou todos os animais, porém nenhum dos animais podia unir-se a ele para ser sua contraparte, pois nenhum deles tinha a mesma vida e natureza que Adão (Gênesis 2:18-20).  Isto tipifica que nada na velha criação, mesmo o homem criado por Deus à Sua imagem (Gênesis 1:26), está qualificado para unir-se a Cristo, pois que a velha criação não tem a vida divina e a natureza divina.  A fim de produzir uma contraparte para Adão, Deus levou Adão a dormir, abriu seu lado, tirou-lhe uma das costelas, e edificou a costela numa mulher, Eva, que estava plenamente qualificada para ser sua contraparte, pois ela foi tirada inteiramente dele (vv. 21-23).  Nesta visão todo-inclusiva, Adão como um homem criado tipifica Cristo como um homem em Sua encarnação; o sono de Adão tipifica a morte de Cristo na cruz para o produzir da igreja como Sua contraparte (Efésios 5:25-27); a costela de Adão tirada do lado de Adão tipifica a vida indestrutível, eterna, divina (Hebreus 7:16), tipificada pelo osso não quebrado de Cristo (João 19:36) e pela água que fluiu do lado de Cristo quando Ele foi perfurado na cruz (João 19:34); o edificar de Eva a partir da costela de Adão tipifica o edificar da igreja como a contraparte de Cristo com a vida de ressurreição de Cristo que flui como a água viva da vida (João 7:37-39).  Esta vida de ressurreição é o próprio Cristo em ressurreição como o Espírito vivificante (João 11:25).

 

D

a mesma maneira que Eva era um puro produto de Adão, a igreja como a esposa de Cristo, que se consuma na Nova Jerusalém, é um puro produto de Cristo.  Em Eva, não havia qualquer elemento que não o elemento de Adão.  Da mesma maneira, na igreja não há qualquer elemento que não o elemento de Cristo.  Cristo é o elemento único que constitui Seus crentes para ser a igreja.  Eva era uma reprodução plena de Adão, e a igreja, composta de todos os crentes regenerados, é a expansão de Cristo (João 3:6; 29-30).  A igreja como o Corpo de Cristo e a noiva de Cristo é o próprio Cristo (1Coríntios 12:12), pois Cristo tem sido trabalhado para dentro da igreja para ser sua constituição.  O transformar dos crentes para dentro de Cristo (2Coríntios 3:18) é o deificar dos crentes para fazê-los o mesmo que Cristo em vida, natureza, e em expressão, mas não na Deidade de maneira que eles unam-se a Cristo como Sua contraparte. 

 

Na Nova Jerusalém, Cristo e a igreja como o grande mistério (Efésios 5:32) consumar-se-ão como o casal universal composto da divindade e da humanidade mesclados  juntos como um só (Apocalipse 22:17).  Como o Marido divino, o Deus Triúno tem a vida e a natureza humanas, e como a esposa humana, Seu povo redimido tem a vida divina e a natureza divina.  Portanto, o Deus Triúno processado e consumado como o Marido e Seus eleitos criados, redimidos, regenerados, transformados, e glorificados (i. e., deificados) como a esposa serão unidos e viverão juntos como um espírito (1Coríntios 6:17) pela eternidade.

 

O tabernáculo e o Templo

 

Conforme suas duas naturezas, divindade e humanidade, a nova Jerusalém é tanto o tabernáculo de Deus quanto o templo de Deus.  Conforme sua humanidade, a Nova Jerusalém é o tabernáculo de Deus como o lugar de habitação de Deus em Sua humanidade entre os homens na terra (Apocalipse 21:3).  Deus pode habitar na humanidade porque Ele tornou-Se um homem e participou da humanidade (João 1:14).  Conforme Sua divindade, a Nova Jerusalém é o templo de Deus como o lugar de habitação eterna dos eleitos de Deus, que O servem como sacerdotes (Apocalipse 21:22; 22:3).  Este templo é o Senhor Deus o Todo-poderoso e o Cordeiro, o Deus redentor.  Os eleitos de Deus podem habitar em Deus como o templo divino pois eles têm sido deificados, feitos Deus em vida e natureza mas não na Deidade.  Na eternidade, a Nova Jerusalém, como a união, o mesclar, e a incorporação do Deus Triúno com todos os Seus redimidos, será o lugar de habitação mútua de Deus no homem e o homem em Deus (cf. João 14:20,23; 15:4-5).  Deus e Seus eleitos habitarão juntos de um modo mesclado.  Deus em Sua humanidade habitará em Seus eleitos, e Seus eleitos em sua divindade habitarão em Deus.

 

Os Filhos de Deus

 

Conforme Apocalipse 21:7, aqueles que constituem a Nova Jerusalém são os filhos de Deus.  Isto indica que a Nova Jerusalém é o agregado de todos os filhos de Deus, a totalidade e consumação da filiação divina.  Todos os crentes em Cristo são os filhos de Deus (Gálatas 3:26; 4:6) que foram regenerados por Deus (1Pedro 1:3) e portanto possuem Sua vida divina e natureza divina em adição à sua vida humana e natureza humana.  Conseqüentemente, eles são homens-Deus como o mesclar de Deus e o homem.  Visto que eles foram gerados de Deus (João 1:12-13), eles são espécie de Deus, mas não têm parte na Deidade.  Da mesma maneira que um filho nascido de um pai humano é um homem mas não tem a paternidade.  O agregado e a totalidade de todos os filhos de Deus como os muitos homens-Deus, que se tornaram Deus em vida, em natureza, e em expressão mas não na Deidade, consumar-se-ão na Nova Jerusalém.  Entre estes homens-Deus, os filhos de Deus, está Deus o Pai.  Por conseguinte, a Nova Jerusalém é Deus o Pai com os muitos “Deus os filhos”. 

 

A Nova Jerusalém é a conclusão de toda a revelação divina do Novo Testamento no que diz respeito à filiação.  Antes da fundação do mundo, Deus predestinou muitos seres humanos para serem Seus filhos (Efésios 1:5).  Isto é uma indicação forte de que o desejo do coração de Deus, na eternidade, era ter não somente um Filho, Seu Unigênito para ser Sua expressão individual (João 1:18; 14:9), mas miríades de filhos (Hebreus 2:10; Romanos 8:29) para serem Sua expressão corporativa aumentada.  Cristo, o segundo da Trindade Divina, é o singular e Filho Unigênito de Deus na Deidade.  À parte dEle não pode mais haver filhos de Deus. A fim de Deus produzir muitos filhos, o Filho Unigênito de Deus foi encarnado para ser um homem por participar do sangue e da carne humanos (João 1:14; Hebreus 2:14), tornando-Se, por meio disso, o Filho do Homem em adição ao Filho de Deus.  Em seguida, Ele viveu como um homem-Deus em Sua humanidade por trinta e três anos e meio, vivendo a vida humana pela vida divina para estabelecer um padrão do viver apropriado de um homem-Deus.  Finalmente, Ele foi crucificado para realizar a redenção eterna de Deus, a fim de terminar todas as coisas negativas e solucionar todos os problemas no universo, e liberar a vida divina de dentro dEle.  No terceiro dia, Ele ressurgiu dentre os mortos, e, em Sua ressurreição, três grandes coisas ocorreram:  Ele foi gerado em Sua humanidade para ser o Primogênito de Deus, Que possui tanto a divindade quanto a humanidade distintamente mas inseparavelmente (Atos 13:33; Romanos 1:3-4; 8:29; Hebreus 1:5-6); todos os Seus crentes foram regenerados para ser os muitos filhos de Deus, os muitos irmãos do Primogênito (1Pedro 1:3; João 20:17); e Ele Se tornou o Espírito vivificante (1Coríntios 15:45; 2Coríntios 3:6,17).  Após Sua ressurreição, Ele como o Espírito vivificante, o Espírito de vida, habita interiormente em Seus muitos irmãos e imparte a vida divina em todo o ser tripartido deles (Romanos 8:2, 9-10, 6,11), por meio disso, santificando-os, renovando-os, transformando-os, conformando-os à Sua imagem, e glorificando-os (i.e., deificando-os) a fim de fazê-los a reprodução em massa de Si mesmo como o Primogênito de Deus.  Por um tal dispensar de vida, Ele edifica todos eles juntos em Si mesmo para ser Seu corpo orgânico como Sua expressão corporativa, que finalmente se consumará na Nova Jerusalém como o Filho de Deus corporativo, o Cristo corporativo (cf. 1Coríntios 12:12; Colossenses 3:10-11), composto de Cristo como o Primogênito incorporado com todos os crentes como os muitos filhos de Deus.

 

Três Materiais Preciosos

 

A Nova Jerusalém é construída de três materiais preciosos – ouro, pérola e pedras preciosas.  A própria cidade e a rua são de ouro (Apocalipse 21:18, 21), as portas são pérolas (v. 21), e a muralha e seus fundamentos são pedras preciosas (vv. 18-20).  Além destes três materiais preciosos, não há outros materiais na estrutura da Nova Jerusalém.  Estes três materiais não são materiais literais, físicos, da mesma forma que os três materiais em 1Coríntios 3:12 – ouro, prata, e pedras preciosas – usados na edificação da igreja como o  Corpo de Cristo sobre Cristo como o único fundamento não são materiais literais, físicos, mas são sinais, símbolos com significado espiritual.  Na estrutura da Nova Jerusalém, ouro significa Deus o Pai com Sua natureza divina como a base da cidade, pérolas significam Deus o Filho com Sua morte redentora e a ressurreição dispensadora de vida como a entrada para a cidade, e pedras preciosas significam Deus o Espírito com Sua obra transformadora como a expressão, a separação, e a proteção da cidade.  Portanto, os três materiais preciosos na estrutura da Nova Jerusalém significam o Deus Triúno processado como o material de edificação para o Seu singular, divino e orgânico edificar.

 

O fato que os nomes da doze tribos de Israel estão sobre as doze portas da cidade e os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro estão sobre os doze fundamentos (Apocalipse 21:12,14) indica que o povo redimido de Deus do Velho Testamento e do Novo Testamento é também parte da cidade santa.  Portanto, a Nova Jerusalém é edificada a partir de Deus e do homem, divindade e humanidade.  Na cidade santa, esses dois constituintes são distintos mas não separados; eles são unidos, mesclados e incorporados juntamente como um.  Por intermédio dos processos que o Deus Triúno passou em Cristo, incluindo Sua encarnação, viver humano, crucificação e ressurreição, Ele Se mesclou com a humanidade a fim de tornar-Se um homem-Deus, e através da experiência dos crentes do dispensar divino na salvação orgânica de Deus, que inclui regeneração, santificação, renovar, transformação, conformação e glorificação, eles são constituídos com o Deus Triúno processado e consumado para tornarem-se homens-Deus, o mesmo que Deus em vida, em natureza, e em expressão mas não em Sua Deidade.  Por conseguinte, Deus Se tornou homem e o homem  tem se tornado Deus para constituir a Nova Jerusalém.

Jaspe

 

A muralha da Nova Jerusalém é a parte principal de sua estrutura.  Toda a muralha e o primeiro fundamento da sua fundação são de jaspe (Apocalipse 21:18-19).  A função principal da muralha é expressar Deus no conduzir Sua glória.  Conforme Apocalipse 21:11, a cidade santa tem a glória de Deus, e sua luz é “como uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe tão clara como cristal”.  Isto indica que a aparência da Nova Jerusalém é jaspe, uma pedra preciosa transformada.  Esta aparência é a glória de Deus, que é o próprio Deus expressado em esplendor radiantemente.  Quando Deus é visto, há glória (Levítico 9:23; Atos 7:20).  Conforme Apocalipse 4:3, Deus no trono é semelhante a uma pedra de jaspe em aparência.  Por conseguinte, tanto Deus quanto a Nova Jerusalém têm a mesma aparência, a aparência de jaspe.

 

A cor do jaspe é verde escuro, que significa vida em sua riqueza.  Portanto, jaspe significa a glória comunicável de Deus em Sua rica vida (João 17:22, 1).  A muralha de jaspe da Nova Jerusalém é o resultado da união e do mesclar do Deus Triúno processado e os crentes transformados por meio da obra transformadora do Espírito.  Na experiência dos crentes da obra transformadora do Espírito, a glória da vida rica de Deus permeia os crentes, por meio disso constituindo-os intrinsecamente com a glória de Deus e transformando-os para dentro da imagem do Cristo glorioso de um grau de glória para outro grau de glória (2Coríntios 3:18).  Por isso, a glória da Nova Jerusalém não é alguma espécie de esplendor brilhando sobre a cidade extrinsecamente, mas um brilhar a partir do Deus de glória desde dentro dos crentes deificados (Apocalipse 21:23; 11; cf. Mateus 17:1-2; 2Tessalonicenses 1:10).  A muralha de jaspe da Nova Jerusalém é prova forte de que na consumação da salvação de Deus, os crentes em Cristo são o mesmo que Deus em vida, em natureza, e em glória.  Isto indica a deificação dos crentes para a expansão e expressão eterna de Deus.

 

Conclusão

 

De acordo com Apocalipse 22:4, os redimidos na eternidade, como os constituintes da Nova Jerusalém terão o nome de Deus sobre suas frontes (cf. Apocalipse 3:12; 14:1).  O nome de Deus denota a pessoa de Deus com tudo que Deus é.  Um nome é um sinal tanto da identidade quanto da propriedade.  O fato de o nome de Deus estar sobre suas frontes indica que na eternidade os redimidos de Deus são um com Deus e pertencem a Deus.  O que Deus é foi trabalhado dentro deles para ser sua constituição intrínseca.  Isto mostra claramente que o bem-aventurado destino de todo genuíno crente em Cristo é ser deificado, tornar-se Deus em Sua vida, natureza e aparência, mas não em Sua Deidade, portar a imagem gloriosa e a semelhança do Deus Triúno (1João 3:2) para Sua expressão corporativa.  Quando nós, como os filhos de Deus, chegarmos a tal destino, gozaremos plenamente nosso direito divino (João 1:12; Apocalipse 22:14) de participar da divindade de Deus, e Deus desfrutará da consumação do Seu beneplácito em juntar-Se e mesclar-Se com a humanidade para Sua expansão e expressão eterna (Efésios 1:5,9).

 

Por Bob Danker

 

Notas

 

1 Aqui, devemos mostrar que no novo céu e nova terra, a nova criação de Deus será limitada à Nova Jerusalém, pois somente a Nova Jerusalém, composta de todos os crentes de Cristo deificados, será constituída com Deus intrinsecamente.  Na eternidade, a novidade dos céus e terra será diferente da novidade da Nova Jerusalém.