DE GLÓRIA EM GLÓRIA      

Ed Marks

Tradução não-oficial e não-revisada pelo autor do original inglês: “From Glory to Glory", publicado em Affirmation &Critique, (jornal de pensamento cristão publicado por Living Stream Ministry, Anaheim, CA, E. U. A., detentor do copyright)-Vol VII, No 1, Abril de 2002. Para uso não-comercial e edificação do Corpo de Cristo com acesso à língua portuguesa. O tradutor agradece quaisquer sugestões que possam aperfeiçoar este trabalho, feitas com e espírito dos homens de Beréia (Atos 17: 11) e sanciona sua difusão em caráter exclusivamente não-comercial. Toda as restrições vigentes se aplicam a este artigo, em beneficio dos detentores dos direitos autorais.

 

O propósito eterno de Deus, o desejo de Seu coração, é ganhar muitos filhos glorificados para Sua expressão radiante através de todo o universo. Deus nos predestinou para a filiação de acordo com o beneplácito de Sua vontade (Ef 1: 4-5) antes da fundação do mundo. Quando nós recebemos Cristo como nossa vida e nosso salvador, Ele entrou em nosso espírito (2 Tim 4: 22) para fazer-nos filhos de Deus, os quais têm a vida e a natureza de Deus (1 João 5: 11-12; 2 Ped 1: 4). Nosso espírito passou a ser, interiormente, habitado por, unido a, e mesclado com o Espírito do Filho de Deus para se tornar um espírito de filiação no qual clamamos “Aba, Pai!” (Rom 8: 15-16; Gal 4: 6; conf. 1 Cor 6: 17). O apóstolo João é muito enfático acerca disto quando ele diz: “Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que, de fato, somos![1]” (1 João 3: 1). Embora sejamos filhos de Deus, “ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele” (v.2). Toda a criação espera, geme e sofre dores de parto pela revelação, a plena manifestação dos filhos de Deus (Rom 8: 19-22). Não apenas a criação toda, “mas nós, também, que temos as primícias do Espírito, até nós gememos em nós mesmos ardentemente esperando a filiação, a redenção de nosso corpo” (v.23). A redenção de nosso corpo será a sua transfiguração, sua saturação por Deus como glória.

 

Nossa manifestação como filhos de Deus ocorre pelo dispensar-Se do Deus de glória, em Cristo, como o Espírito, a todas as três partes do nosso ser—espírito, alma e corpo (1 Tes 5: 23). Uma expressão impressionante em 2 Cor 3: 18 diz que estamos sendo transformados de glória em glória—de um grau de glória para outro. Esta expressão revela o processo em andamento da glorificação na vida cristã. Por um lado, podemos dizer que a regeneração tem lugar em nosso espírito, a transformação em nossa alma e a glorificação em nosso corpo. Por outro lado, podemos dizer que a glorificação é um processo no qual o Deus de glória dispensa a Si Mesmo para dentro de nosso espírito, Se espalha por nossa alma e, com o tempo, chega a saturar nosso corpo. Precisamos ver como podemos permanecer neste processo orgânico até que nossos corpos mortais “sejam tragados pela vida” (2Cor 5: 4) e transfigurados pelo Senhor, em Sua vinda, “para sermos conformados ao corpo de Sua glória” (Fil 3: 21). “Quando Cristo nossa vida estiver manifesto, então também vocês estarão manifestos com Ele em glória” (Col 3: 4).

 

Glória é Deus, Ele Mesmo, expressado e manifestado. Jeremias 2: 11 na The Amplified Bible[2] diz: “Uma nação [alguma vez] trocou seus deuses, embora eles não sejam deuses? Mas Meu povo trocou Deus, sua Glória, por aquilo que não vale nada”. Atos 7:2 diz que o Deus de glória apareceu a Abraão. Deus o Pai é o Pai de glória (Ef 1: 17), Deus o Filho é o Senhor de glória (1 Cor 2: 8), e Deus o Espírito é o Espírito de glória (1 Ped 4: 14). Cristo, como a corporificação do Deus Triúno, dispensa-Se a Si Mesmo como glória para o interior de nosso espírito, para nossa regeneração. Isto é instantâneo. A transfiguração de nosso corpo, para nossa plena glorificação, também será instantânea, ocorrendo “num momento, num piscar de olhos” (1 Cor 15: 52). Devemos, entretanto, cruzar a ponte de nosso espírito glorificado para nosso corpo glorificado, permitindo que o Senhor glorifique nossa alma. Devemos cooperar com Ele, deixando-O propagar-Se de nosso espírito para nossa alma, de modo que possamos ser transformados de um grau de glória em outro. Este é o crescimento do Deus de glória no nosso ser interior, pelo qual crescemos pelo  crescimento, pelo aumento de Deus em nós (Col 2: 19). “A realidade da glorificação dos crentes é o seu ganho do próprio Deus. Sem Deus, nós não temos glória. Quando ganhamos Deus, somos glorificados. A medida do que temos de Deus determina a medida de nossa glória” (Lee 67)

 

OBS- Regeneração tem lugar em nosso espírito, a transformação em nossa alma e a glorificação em nosso corpo. Glorificação é um processo no qual o Deus de glória

dispensa a Si Mesmo para dentro de nosso espírito, Se espalha por nossa alma e, com o tempo, chega a saturar nosso corpo.

 

O processo de ser transformados pelo qual os crentes passam hoje na esfera da vida divina é Deus sendo expressado nos crentes como glória; daí esta transformação ser de glória em glória (2Cor 3: 18b). A glória de Deus prática, subjetiva em nós é uma glória que progride de um grau para outro grau. Este expressar de Deus está progredindo e avançando; daí ser de glória em glória. (68)

 

 

A santificação sendo o processo gradual de glorificação

 

A vida cristã diária deve ser a história da expressão de Deus progressiva e em avanço, a glória de Deus. Como o Senhor nos leva de glória em glória? Queremos mostrar que esta vida cristã “de glória em glória” é executada pelo nosso santificar diário pelo Senhor. Santificação não é apenas o fato de sermos separados para Deus, mas também sermos saturados com Deus. Sermos separados para Deus é nossa santificação posicional pelo sangue de Cristo (Heb 3: 12). Ser saturados por Deus é nossa santificação disposicional pela vida de Cristo (Rom 6: 19, 22). Ser santificado é ser feito santo, e ser santo é ser único e distinto de tudo o que é comum. Somente Deus é santo. Somente Deus é distinto e único no universo, entretanto Deus nos encarrega de sermos santos “Vós certamente sereis santos porque Eu sou Santo” (1 Ped 1: 16). Podemos ser santos somente pelo dispensar-Se dAquele que é santo em Sua natureza santa e divina, para o interior de todo o nosso ser tripartido. Precisamos ser, diariamente, “participantes da natureza divina" (2Ped 1: 4), de modo que Deus tenha caminho para nos santificar totalmente em nosso espírito, alma e corpo (1 Tes 5: 23). Por sermos saturados com o Deus santo nos tornamos a cidade Santa, a Nova Jerusalém, “tendo a glória de Deus” (Ap 21: 10-11).

 

OBS- Santificação não é apenas o fato de sermos separados para Deus, mas também sermos saturados com Deus. Sermos separados para Deus é nossa santificação posicional pelo sangue de Cristo. Ser saturados por Deus é nossa santificação disposicional pela vida de Cristo

 

Precisamos ver que esta santificação disposicional é o processo gradual de nossa glorificação, e o processo de glorificação é o processo de sermos “filhificados”[3] para nos tornarmos, em nosso espírito, alma e corpo, os filhos manifestados de Deus. Duas passagens das sagradas Escrituras revelam esta verdade vital—Hebreus 2: 10-11 e Efésios 1: 4-5. Hebreus 4: 10 fala do Senhor como o capitão e autor de nossa salvação guiando muitos filhos à glória. Seu liderar muitos filhos à glória é o processo de glorificação. Então o verso 11 fala do Santificador e dos que estão sendo santificados. Assim, o processo de sermos santificados por Cristo como o Santificador é o processo de sermos glorificados. O modo pelo qual Deus leva Seus muitos filhos à glória, de glória em glória, é por santificá-los. Efésios 1: 4-5 diz que antes da fundação do mundo Deus nos escolheu para sermos santos por nos predestinar para a filiação. Fomos escolhidos para sermos santos para nossa filiação. Assim, a santificação, processo de sermos feitos santos, é para filiação. Santificação é o “transformar em filhos”, feito por Deus para glorificar todo o nosso ser tripartido com Ele Mesmo, como o Santo e Glorioso. “E o Deus de paz, Ele Mesmo, vos santificará inteiramente, e possam vosso espírito, alma e corpo serem preservados inteiramente, sem mácula, na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1Tes 5: 23). Precisamos cooperar diariamente com o Deus Santo que opera interiormente, abrindo nosso ser a Ele para deixá-lO saturar nosso ser com Ele Mesmo. Esta santificação subjetiva nos prepara para ser a noiva Santa de Cristo que expressa Deus, a qual é Sua gloriosa igreja.

 

A santificação para nossa glorificação pelo lavar da água na Palavra.

 

Efésios 5: 2b revela como o Cristo, que habita interiormente como a esperança da glória, pode cumprir Seu objetivo de ganhar Sua noiva. Ele o faz pelo Seu falar, Sua Palavra—“Para que a pudesse santificar, limpando-a pelo lavar da água na Palavra”. Efésios 5: 27 revela a beleza da noiva, dizendo que Cristo a apresentará a Si Mesmo como a noiva plena de Si Mesmo como glória, “sem mácula ou ruga ou qualquer destas coisas, mas que ela será santa e sem defeito”. Nós, como a igreja, estamos sendo embelezados por Cristo como o Espírito que dá Vida (1 Cor 15: 45) através do processo de santificação pelo lavar da água como a vida que,na Palavra, flui de Deus. Sem Efésios 5: 26 não há meio da noiva de Cristo ser preparada, ser completamente glorificada, embelezada com e em Cristo. Quão crucial é a palavra de Cristo! Precisamos estar diariamente na palavra santificadora, glorificadora e embelezadora de Cristo.

 

OBS----Quando vimos para ler a Palavra em espírito e atmosfera de oração, a Palavra é como um espelho de bronze para nós. À medida que lemos a Palavra, um espelho é colocado diante de nosso ser interior para expor nossa verdadeira condição. Bronze indica, na Bíblia, o julgamento de Deus.

 

Precisamos considerar cuidadosamente a importância de Efésios 5: 26 em nosso processo continuado de glorificação. Água neste verso se refere à vida de Deus que flui como a água viva, a água da vida (Exo 17: 6; 1 Cor 10: 4; João 7: 38-39; Apo 21: 6; 22: 1, 17). O limpar pelo lavar da água da vida é na palavra de Cristo; isto indica que na palavra de Cristo está a água da vida. Este limpar é um limpar do nosso ser interior, metabólico e divino. Quando tomamos a palavra de Deus para dentro de nós, o Seu falar, um metabolismo espiritual acontece em nós. O velho elemento de nosso ser natural e caído vai sendo gradualmente eliminado, e o elemento novo das riquezas de Cristo é gradualmente dispensado às partes mais internas do nosso ser para nos transformar com as riquezas da Sua glória de modo que não mais expressemos a nós mesmos, mas a Ele. Este limpar metabólico nos embeleza com a glória de Cristo e lava de nós os defeitos do nosso velho homem natural.

 

De acordo com o texto grego original a palavra traduzida como lavar é pia[4]. Somos santificados pela pia da água na palavra. No Velho Testamento a pia era posta junto ao tabernáculo para que os sacerdotes pudessem lavar-se de toda impureza terrena para servir a Deus e entrar em Seu lugar de habitação (Exo 30: 18-21). De acordo com Êxodo 38: 8 a pia foi feita com o bronze dos espelhos das mulheres que serviam. A Palavra de Deus hoje é a pia universal para que sejamos lavados de toda a nossa contaminação terrena e glorificados para sermos a noiva de Cristo. Quando vimos para ler a Palavra em espírito e atmosfera de oração, a Palavra é como um espelho de bronze para nós. À medida que lemos a Palavra, um espelho é colocado diante de nosso ser interior para expor nossa verdadeira condição. Bronze indica, na Bíblia, o julgamento de Deus. O altar de bronze no átrio externo do tabernáculo, onde as ofertas eram apresentadas a Deus, significa a cruz onde Cristo foi julgado por Deus como o Substituto por nosso pecado (Exo 27: 1-8). Ele foi para a cruz como a realidade da serpente de bronze (Num 21: 4-9; João 3: 14) para julgar, anular e dar fim ao diabo, a antiga serpente, com nossa natureza serpentil. Por nos achegarmos à Palavra de Deus, a qual é a realidade da pia de bronze, somos expostos e iluminados, e as coisas em nosso ser natural que não são santas, que não são de acordo com o Deus santo, são julgadas por Deus.

 

A palavra grega traduzida por palavra em Efésios 5: 26 é rema. A palavra grega lógos se refere à Palavra de Deus escrita e constante, ao passo que rema se refere à Palavra instantânea de Deus, a palavra que o Senhor está falando agora a nós. Rema é comunicação direta de Deus revelando algo a nós, pessoal e intimamente. A Bíblia é o lógos, mas este lógos precisa se tornar rema para nós. A Bíblia como a pia é o lógos, e dentro da pia como lógos está a água da vida como rema. “Rema é algo que o Senhor falou anteriormente e que agora Ele está falando de novo. Em outras palavras, rema é a palavra que o Senhor fala uma segunda vez. Isto é algo vivo” (Nee, Glorious, 54). Precisamos converter a palavra constante de Deus, o lógos, em Seu falar instantâneo e presente, de modo que possamos ser santificados, saturados por Cristo, para nos tornarmos a gloriosa noiva de Cristo.

 

O modo pelo qual o lógos de Deus pode se tornar rema para nós é visto em Efésios 6: 17-18. Estes versos nos dizem para recebermos a Palavra de Deus por meio de toda oração, orando o tempo todo no espírito. À medida que lemos a Palavra de Deus, precisamos orar sobre e com a Palavra de Deus. Por meio de toda oração (vários meios de oração), através do exercício do nosso espírito, a Palavra constante de Deus se torna Seu falar instantâneo, direto, pessoal e íntimo a nós. É este falar a nós e em nós que nos satura com Deus como o elemento divino de santidade e glória. George Whitefield, um grande evangelista do século dezoito, nos fornece um maravilhoso padrão de emprego da palavra de Deus como nosso livro de orações de modo que a palavra constante se torne o falar instantâneo e pessoal a nós. Em seu diário Whitefield faz as seguintes declarações:

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OBS----Quando voltamos nosso coração para o Senhor em oração, ao lermos a Palavra de Deus, somos desvelados e os olhos do nosso coração são iluminados para ver o Deus invisível da glória. Assim, Ele trabalha a Si mesmo para dentro de nós como o peso eterno de glória em meio à nossa temporária leveza de aflição.

 

Por muitos meses tenho estado quase sempre de joelhos, para estudar e orar...e tenho sido dirigido, por examinar e ler as Escrituras dessa maneira, mesmo nas menores circunstâncias, tão claramente como os judeus eram, ao consultar o Urim e o Tumim no peito do Sumo Sacerdote. (62)

Imediatamente me retirei para minha sala e ajoelhando-me, com muitas lágrimas, orei sobre aquele salmo no qual Davi tão freqüentemente repete estas palavras— “Mas em O Nome do Senhor eu os destruirei” [Sal 118: 10-12]. (38)

No domingo de manhã, levantei-me cedo e orei sobre a Epistola de São Paulo a Timóteo, e mais particularmente sobre aquele preceito, “Ninguém despreze tua juventude” [1 Tim 4: 12]. (69)

 

Por ler em oração a Palavra de Deus, com nossos corações totalmente voltados para o Senhor, somos transformados de um grau de glória para outro. Em 2 Coríntios 3 Paulo está falando dos filhos descrentes de Israel quando ele diz “De fato até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu jaz sobre seus corações; mas sempre que seu coração se volta para o Senhor, o véu é retirado” (v. 15-16). Note a frase sempre que Moisés é lido. Isto se refere aos escritos de Moisés, que são parte das Escrituras sagradas. Sempre que lemos os escritos de Moisés ou os escritos de outros canais inspirados do falar de Deus na Bíblia, precisamos voltar nosso coração para o Senhor em oração. Então o véu é retirado de nosso coração, e podemos contemplar e refletir a glória do Senhor com a face descoberta para sermos transformados de glória em glória. É um encorajamento compreender que mesmo em meio a sofrimento, juízos e adversidades, podemos vir à Palavra de Deus e então a glória divina, com seu eterno peso, pode ser dispensada para dentro de nosso ser. “Pois nossa momentânea leveza de aflição opera por nós, de modo mais e mais transcendente, um eterno peso de glória, porque não contemplamos as coisas que são vistas, mas as coisas que não são vistas, pois as coisas visíveis são temporárias, mas as invisíveis são eternas”(2Cor4: 17-18). Quando voltamos nosso coração para o Senhor em oração, ao lermos a Palavra de Deus, somos desvelados e os olhos do nosso coração são iluminados para ver o Deus invisível da glória (cf. Heb 11: 27). Assim, Ele trabalha a Si mesmo para dentro de nós como o peso eterno de glória em meio à nossa temporária leveza de aflição.

 

        Esta leitura em oração das Escrituras é vital se queremos permanecer na experiência de santificação como processo de glorificação. A pergunta crucial é esta: Deus está falando a nós hoje? A degradação do povo de Deus é devida a uma falta da palavra pessoal e direta a ele. Nos dias de Samuel quando ele ainda era um menino sob a tutela do sacerdote degradado Eli, “a palavra de Jeová era rara nesses dias; visões não eram espalhadas” (1 Sam 3: 1). Em Apocalipse 2 e 3 vemos as sete igrejas da Ásia com o Senhor chamando por vencedores de entre uma situação degradada. A chamada repetida do Senhor em cada epístola a essas igrejas, uma chamada séptupla, é: “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apo 2: 7, 11, 17, 29, 3: 6, 13, 22). No começo de cada uma destas epístolas, é o Senhor que fala (2: 1, 8, 12, 18; 3: 1, 7, 14), mas ao fim é o Espírito que fala às igrejas. Isto mostra que, como 2 Cor 3: 17 diz, “O Senhor é o Espírito”. Ele é o Espírito que fala. Mais ainda, o falar de Cristo é o Espírito, a verdadeira presença do Espírito que dá vida. Em João 6: 63 o Senhor disse que as palavras que Ele fala a nós são espírito. Efésios 6: 17 fala de “a espada do Espírito, o qual Espírito é a palavra de Deus”. Sem o falar presente do Senhor não temos Sua presença. Sua presença está no Seu falar, e Seu falar é Seu dispensar-Se a Si mesmo como o Deus-homem da glória para nos fazer gloriosos.

 

OBS-Cristo é nossa beleza, e Cristo é nossa glória. Assim como as vestimentas dos sacerdotes do Velho Testamento eram para sua glória e beleza (Exo 28: 2), somos vestidos com Cristo como nossa gloriosa vestimenta pelo Seu dispensar-Se a Si mesmo como o Senhor da glória em nosso espírito, alma e corpo

 

Necessitamos desesperadamente do falar pessoal do Senhor a nós tanto pessoalmente como corporativamente para estarmos preparados para ser Sua noiva que O expressa. Quando recebemos o falar diretamente a nós do Senhor como mensagens frescas dEle para Seu povo, nos tornamos Seus mensageiros. Apocalipse 1: 20 fala destes mensageiros como estrelas que brilham. Eles estão vivendo em uma situação de ascensão, brilhando intensamente com a luz da Palavra de Deus, e iluminando a situação trevosa e degradada do povo de Deus. Quando o Senhor fala às sete igrejas, Ele não fala a elas diretamente. Ele o faz através destes mensageiros (Apo 2: 1, 8,12,18; 3: 1, 7, 14). O Senhor precisa de pessoas hoje que queiram se tornar canais de Seu falar instantâneo ao Seu povo. Precisamos dar-nos à oração acerca da Palavra de Deus, ao ministério da palavra presente, pessoal e direta do Senhor ao Seu povo, para sua santificação para levá-lo avante de glória em glória (Atos 6: 4). “O ponto central de nossas orações deve ser nosso ansiar pelo falar do Senhor. Oh, possa o Senhor falar a nós! A palavra do Senhor sendo falada a nós nos capacitará a atingir o eterno propósito de Deus” (Nee, Glorious 57). A cada dia deveríamos orar ao Senhor esta simples oração: “Senhor, fala a mim”. Então podemos ser canais para o Senhor falar através de nós ao Seu povo. Deveríamos aspirar ser como o apóstolo Paulo, uma pessoa em quem Cristo falou (2 Cor 3: 13) e uma pessoa que falou em Cristo (2Cor 2: 17). As mensagens frescas que recebemos do Senhor são para a preparação do Seu povo para ser a Sua noiva.

 

À medida que nos mantemos no processo de lavagem, no processo de santificação e glorificação da água da vida na palavra, somos saturados com Cristo e transformados por Cristo para sermos Sua noiva santa, linda e que expressa Deus, sem ruga ou mácula, uma noiva cheia do Deus Triúno da glória, sem qualquer mancha ou imperfeição. O lavar da água na palavra gradualmente elimina as manchas de nossa vida natural. Manchas podem também ser causadas por ferimentos; muitas vezes podemos ser feridos psicologicamente por ofensas de outros e por certos sofrimentos e juízos através dos quais passamos. O lavar da água na palavra cura estas feridas. Este lavar também remove gradualmente as rugas de velhice ou ranço, fazendo-nos vivos, frescos, jovens e novos em nosso amor pelo Senhor e Seu serviço a Ele. Graças ao Senhor por Seu falar glorificante, que nos embeleza com Cristo! Isto tudo é para cumprimento de Apo 19: 7: “ Alegremo-nos e exultemos, e demos glória a Ele, pois são chegadas as bodas do Cordeiro, e Sua esposa já se aprontou”. Queremos aprontar-nos para ser a esposa de Cristo por permanecer em Sua palavra santificadora de modo que Ele possa nos apresentar a Si mesmo gloriosa.

 

Efésios 5: 26-27 é paralelo a Cântico dos Cânticos 8: 13-14, os versos finais deste romance alegórico entre Deus e Seu povo escolhido. Efésios 5: 26 mostra que somos santificados pelo lavar da água na palavra para sermos preparados como Sua noiva cheia de glória no verso 27. Na Amplified Bible, Cântico dos Cânticos 8; 13 diz, ó tu que habitas nos jardins, teus companheiros têm ouvido tua voz, agora faz-me ouvi-la”. Os jardins nos quais o Senhor habita são as pessoas que O seguem e que são enchidas com Ele e crescem Nele para Sua satisfação e desfrute particular (Cant 4: 12). Elas são os que estão sempre ouvindo a voz do Senhor para sua santificação e glorificação. Como estas companhias do Senhor, nossa oração deve também ser, “Faz-me ouvir Tua voz”. O falar do Senhor que prepara a noiva nos levará à aspiração e conclusão de nosso divino romance com Ele, vista em Cântico dos Cânticos 8: 14: “apressa-te, meu amado, /E sê como uma gazela ou um jovem cervo / Sobre os montes de especiarias”. O falar do Senhor à Sua seguidora faz com que ela anseie pela Sua vinda para a plena glorificação dela, a qual terá lugar quando Ele voltar no poder de Sua ressurreição para estabelecer Seu doce e lindo reino sobre esta terra. Na conclusão da Bíblia o Senhor declara, “Sim, venho rapidamente”; como o apóstolo João, precisamos ter um ouvido para ouvir a palavra do Senhor e orar Sua palavra de volta para Ele, dizendo, “Amém. Vem, Senhor Jesus!“ (Apo 22: 20)

 

Watchman Nee, na conclusão de seu clássico trabalho intitulado A Ortodoxia da Igreja, aponta quão crítico é para nós ter um ouvido para ouvir o que o Espírito está falando a nós:

 

O Senhor diz, Quem tem um ouvido, que ouça o que o Espírito diz às igrejas.” Duas pessoas estavam andando na rua, e uma delas disse, “Um momento, ouvi o som de grilos”. Seu amigo respondeu, “Você está louco, os carros na rua estão fazendo tanto barulho, nós mal podemos ouvir a nós mesmos falando! Como pode você ainda escutar o barulho de grilos?” Mas ele correu para o muro do lado da rua e disse a seu amigo que ficasse quieto e ouvisse. Por certo, havia um grilo. Seu amigo então perguntou como ele poderia ter ouvido. Ele respondeu, “Banqueiros só conseguem ouvir o tilintar do dinheiro, músicos só conseguem ouvir o som da melodia. Eu sou entomologista, meu ouvido consegue ouvir som dos insetos”. O Senhor nos diz que aquele que têm um ouvido e consegue ouvir a palavra do Senhor, que a ouça. Há muitos que não têm ouvidos e não conseguem ouvir a palavra do Senhor. Se possuirrmos um ouvido, devemos ouvir. (101-102)

 

Os vencedores são aqueles que têm um ouvido para ouvir o som da voz do Senhor no meio do ruído do mundo. Eles desfrutam continuamente o lavar da água na palavra para permanecerem no processo glorificador de serem preparados para ser a noiva de Cristo, a Nova Jerusalém (Apo 21: 9-10). Sua vida cristã é uma vida “de glória em glória”.

OBS- Os vencedores são aqueles que têm um ouvido para ouvir o som da voz do Senhor no meio do ruído do mundo. Eles desfrutam continuamente o lavar da água na palavra para permanecerem no processo glorificador de serem preparados para ser a noiva de Cristo, a Nova Jerusalém (Apo 21: 9-10). Sua vida cristã é uma vida “de glória em glória”.

 

Obras citadas

 

The Amplified Bible. Grand Rapids: Zondervan Publlishing House, 1987

 

Lee, Witness. God’s Salvation in Life. Anaheim: Living Stream Ministry, 2001

 

Nee, Watchman. The Glorious Church.  Erro! Vínculo não válido.

 

_____________. The Orthodoxy of the Church. Anaheim: Living Stream Ministry, 1994

 

Whitefield, George. Whitefield’s Journals. London: The Banner of Truth Trust, 1960.



[1] Todas as traduções de citações da Bíblia são traduções livres do tradutor, procurando manter as características da citação original.

[2] A Bíblia Amplificada, versão em inglês publicada pela Zondervan Publishing House. (N. do T.).

[3] Neologismo cunhado para explicar o processo de sermos tornados filhos de Deus, herdeiros com pleno direito, semelhantes ao Filho Unigênito que Se tornou o Primogênito de muitos irmãos. Supomos que o autor preferiu usar esta palavra cunhada ao invés de usar a habitual tradução “adotados” porque na língua grega, original do NT, a palavra huiotesia significa posição de filho, filiação. Não parecia haver, para os antigos, qualquer diferença entre o filho natural e o adotado—dotado de huiotesia, posição de filho—, daí não haver para eles palavras que distinguissem a filiação natural da adoção. Havia apenas o conceito de ser ou não filho com plenos direitos de ocupar o lugar do pai.

[4] Ou, lavatório, bacia. Fregadero (hermanos de habla española) Nota do tradutor.