A Cristalização

UMA NOVA ABORDAGEM DO EVANGELHO DE JOÃO

 

Tradução não oficial e não revisada pelo autor do artigo “The Crystallization – A New Look at the Gospel of John” publicada em Affirmation  & Critique (www.affcrit.com), em abril de 2004, periódico pertencente ao Living Stream Ministry - Anaheim – CA – EUA, por João Lídio de Carvalho Neto para a  edificação da Igreja do Senhor Jesus Cristo, sem fim comercial.  E-mail do tradutor: joaolidiocn@ig.com.br

 


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 ma visão panorâmica, detalhada e delineada do Evangelho de João deve desvelar suas profundezas antes que apenas descrever as cenas aparentemente simples que têm cativado os corações  dos crentes em todas as épocas. Tal visão deve ressaltar o pensamento básico que este Evangelho fala da vinda de Cristo para dentro da humanidade por meio da encarnação de modo a trazer Deus para dentro da humanidade e do Seu ir para Deus o Pai por meio da morte e ressurreição a fim de trazer a humanidade para dentro de Deus para o produzir de um lugar de habitação mútua para o Deus Triuno e Seu povo redimido.

Este processo econômico é ativado, energizado e dependente da operação da vida de Deus divina, incriada, eterna que deve ser entendida hipostaticamente[1] como sendo o próprio Deus.  Semelhante a Deus, a vida de Deus tem um propósito.  O Evangelho de João, que é um evangelho de vida, revela que o propósito da vida de Deus é edificar um lugar de habitação eterno tanto para Deus quanto para a humanidade redimida, um lugar de habitação que era prefigurado no tabernáculo e no templo no Velho Testamento, realizados na pessoa de Cristo nos capítulos um a doze deste evangelho, e aumentado para incluir todos os redimidos nos capítulos catorze a vinte-e-um deste mesmo evangelho.  Finalmente, este lugar de habitação aumentado, esta incorporação mútua do Deus Triuno e da humanidade redimida, é retratada pelo mesmo autor deste evangelho de vida como a Nova Jerusalém, uma cidade de vida, não uma cidade física designada para cumprir nossos desejos sensuais, no livro final das Santas Escrituras.  Este lugar de habitação está sendo edificado pelo próprio Deus.  De fato, é o próprio Deus, o qual foi processado por meio da encarnação, morte e ressurreição para ser impartido para dentro da humanidade redimida e regenerada e que tem sido incorporado com os crentes conforme o modelo e através da ponte do Jesus Joanino, o Jesus revelado no Evangelho de João.

O Evangelho de João revela que a fim de realizar o propósito de Deus, Cristo é a realidade do tabernáculo e das ofertas, cumprindo todos os tipos do Velho Testamento. E através do Espírito de realidade como a realidade de Cristo, nós agora podemos experienciar Cristo e ser constituídos com Ele para o cumprimento do propósito eterno de Deus. Este propósito foi expresso em Seu viver homem-Deus, um viver caracterizado pelo Seu viver da vida divina em Sua vida humana para a expressão da divindade na humanidade.  Ainda que Ele tivesse uma vida humana perfeita e sem pecado, Ele não viveu por esta vida; antes, Ele rejeitou e negou Sua vida humana natural, até o ponto de morte na cruz.  Em Sua morte, Ele realizou a redenção como o Cordeiro de Deus, tirando o pecado da humanidade e, como a serpente de bronze, tratando com a totalidade do pecado por condenar o pecado na carne.  E, em ressurreição, a vida divina e o poder atrás do Seu viver homem-Deus foram liberados e feitos disponíveis para satisfazer cada necessidade de toda a humanidade.

Para aqueles que são morais, esta vida regenera, levando seus recipientes a serem nascidos de Deus de modo que eles possam suprir-se da única fonte que é verdadeiramente boa – Deus. Para aqueles que são imorais, aqueles que procuram satisfação nos prazeres temporários e freqüentemente profanos do século, esta vida satisfaz por continuamente brotar do interior como uma fonte de água viva.  Para aqueles que estão morrendo, esta vida cura.  Para aqueles que estão sem poder e impotentes no meio de suas circunstâncias, esta vida aviva e sustenta no meio da fraqueza.  Para aqueles que estão famintos e em necessidade de sustento físico e psicológico, esta vida alimenta e supre.  Para aqueles que estão sedentos, mesmo depois de deleitar-se nos melhores elementos do mundo, esta vida sacia sua sede e mesmo os enche para transbordar sua abundância da vida divina a outros.  Para aqueles que estão sob a escravidão do pecado, esta vida liberta. Para aqueles que estão cegos no meio da religião, esta vida ilumina e até os conduz para fora do aprisco religioso para dentro do rebanho de Deus. E para aqueles que estão espiritualmente mortos, aguardando a morte física, esta vida ressuscita.

Esta vida está disponível somente na pessoa todo-inclusiva de Cristo, que é uma ponte e um modelo da incorporação divina da Trindade Divina e da entrada dos crentes dentro desta mesma incorporação divina.  O Evangelho de João desvela-nos que este Jesus salvador não é simplesmente o único Filho na encarnação, mas o Filho encarnado carregando em Si mesmo o Pai, que existe com Ele mutuamente, abita nEle continuamente, e opera com Ele em todas as Suas ações e palavras. Jesus é a incorporação encarnada do Deus Triuno.  E este Cristo incorporado, por meio da operação do Deus Triuno e particularmente da operação do Espírito Santo, economicamente introduz os crentes na vida e no viver do Deus Triuno, de modo que eles também são incorporados dentro do Filho e assim dentro do Deus Triuno.  Este é o evangelho de João da vida divina eterna e incorporada.   

 

Os Editores     

 



[1] De hipóstase, para os pensadores da Antigüidade, realidade permanente, concreta e fundamental; substância (Dicionário Houaiss – N.T.)